inumatopeia #2

Inumatopeia é um ciclo de conversas com as pesquisadoras e pesquisadores do Inuma. Na segunda edição vamos conversar com o biólogo, cineasta, pesquisador e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Antonio Botelho Andrade, com o tema “Divulgação científica: da teoria à ação”.

Dia 21/07/21, a partir das 15h, pela plataforma Google Meet.

Inscrição com certificação da UFS: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/home.jsf. (em “Extensão”, no menu à esquerda).

Resumo

A ciência é uma prática social e, como tal, não está desvinculada das condicionantes históricas, culturais e ideológicas da sociedade em que está inserida. Assim, tanto os processos de produção quanto o de socialização do conhecimento, sejam eles direcionados para o público especializado (comunicação interpares), ou para público em geral (divulgação científica), ainda que mediados por linguagens diferenciadas, são influenciados pelas mesmas condicionantes. Nessa perspectiva, a divulgação científica cumpre um papel importante na relação entre ciência e sociedade e se tornou, recentemente, uma exigência das agências de fomento para os grandes projetos financiados com recursos públicos. Essa importância se tornou ainda mais evidente no curso da atual pandemia provocada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), quando a figura do cientista renomado fala diretamente e diariamente com a população, por meio de diversas mídias, enquanto o vírus se espalha ceifando milhares de vidas.  Feito este preâmbulo, pretendemos discutir neste Seminário alguns conceitos que acreditamos fundamentais, tais como universidade, extensão universitária e divulgação científica. Abordaremos os conceitos de linguagem e cultura a partir do referencial teórico da Biologia do Conhecer, passando pelos diferentes sistemas de conhecimento – mitologia, religião, filosofia, ciência e arte –, ressaltando o fazer científico e a percepção pública sobre ciência. Passando da teoria à ação, apresentaremos nossa produção textual e fílmica na área de divulgação científica, especialmente com a série educativa intitulada “Quem foi que disse?” (disponível no site labaciencias.com), tentando superar obstáculos tais como o negacionismo e as fakenews, no contexto desse movimento maior denominado pós-verdade.

inumatopeia #1

Inumatopeia é um ciclo de conversas (remotas, ao menos por enquanto) com pesquisadoras e pesquisadores do Inuma.

A primeira edição é em junho, com a filósofa e historiadora Carolina Alves D´Almeida,

As ciências animais como ciências sociais: contribuições para os estudos sociais das ciências animais e estudos animais e multiespécies

Dia 01/06/21, a partir das 15h, pela plataforma Google Meet.

Inscrição com certificação da UFS: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/home.jsf. (em “Extensão”, no menu à esquerda).

Resumo

Pretendo suscitar reflexões sobre contribuições que influenciaram na emergência dos campos interdisciplinares dos Estudos Animais, que reconfiguraram o status ontológico dos animais, de objetos para sujeitos, no mundo ocidental, e que repensaram as ciências animais como sociais. Partirei de naturalistas do século XIX que se dedicaram às sociedades animais, como Espinas e Kropotkin, para o qual apoio mútuo e cooperação foram determinantes para a Evolução. O reconhecimento dos animais como atores sociais pressupõe o fim da “excepcionalidade humana” e a mudança da noção antropocêntrica e moderna de social, de forma ampla e inclusiva, como um aglomerado que reúne atores humanos e não-humanos dotados de agência e plenos direitos. Nesse contexto, vale destacar as contribuições de Uexküll, na década de 1930, dos animais como sujeitos e centros de seus “mundos-próprios”, muito bem acolhidas por Lorenz, o pai oficial da Etologia Científica. Cabe ressaltar que os estudos da Etologia Cognitiva sobre a evolução da mente e processos cognitivos dos animais, na década de 1970, e sobre suas capacidades culturais e simbólicas, influenciaram significativamente na mudança de seu estatuto ontológico. Com a “redescoberta” dos animais como sujeitos sencientes com capacidades cognitivas e culturais, tornou-se possível repensar, em termos jurídicos, o animal como sujeito de direito, digno de considerações éticas. Mais além, a História Ambiental repensou animais e natureza como importantes protagonistas, sujeitos e agentes da História. Trata-se da história das relações entre sociedades humanas e natureza, perspectiva relacional que sugere que humanos não evoluíram isolados, mas emaranhados com a natureza. Cabe destacar a importância dos Estudos Multiespécies, nos quais as relações emaranhadas são condição biológica da vivacidade, visto que evoluímos a partir de histórias coevolutivas. O enfoque ambiental permitiu dar visibilidade aos seres historicamente excluídos. A coevolução de animais humanos e não humanos é um fator presente na história, passível de ser historicizado.

Nós animais: antropologia, ciência e natureza

Com Nelson Vaz, Maurício Cantor e Felipe Vander Velden

Coordenador Ugo Maia Andrade

Debatedor Beto Vianna

Para além da dicotomia natureza/cultura, a antropologia pode ser pensada como uma disciplina da dimensão relacional, em que o humano não constrói sozinho seu espaço social, mas está imerso em uma rede de relações com coletivos não humanos, vivos ou não. O afazer científico – seja no campo das ciências naturais ou na própria antropologia – é um dos domínios em que estabelecemos um diálogo com esse entorno mais-que-humano. Resta saber se o diálogo tem sido, e se poderia ser mais, proveitoso.

Link para o blog do evento e inscrições: https://semantufs.wordpress.com/

II Semana de Antropologia da UFS

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Sergipe (PPGA-UFS) realizará, entre os dias 27 e 30 de novembro de 2018, no Campus São Cristóvão da UFS, a II Semana de Antropologia da UFS, com o tema “Políticas e o saber antropológico”.

O evento visa, dentre outras questões, estimular a reflexão em torno do papel da antropologia enquanto campo de saber e de atuação frente às diferentes relações de poder, o sistema político, as maneiras como os sujeitos experienciam e percebem a política, o modo como significam os objetos e as práticas relacionadas ao mundo da política, os papeis políticos do saber acadêmico, bem como a própria dimensão política inerente ao ofício antropológico.

Mesas redondas e Grupos de trabalho com participação do INUMA

MR 2 – Cultura, animais sociais e relações humano-não humano – 28/11

MR 4 – Linhagem humana para além do humano – 29/11

mesasredondas_inuma01

GT 1 – Coletivos indígenas, quilombolas e tradicionais – 28 e 29/11

Link para o site do evento: https://2semanaantropologiaufs.blogspot.com/

 

ANTROPO 2018 cartaz 01

Teoria ator-rede, linguagem e agência não humana

A linguística concede aos atores humanos um papel exclusivo, em função da definição de seu objeto de estudo, a linguagem, entendida como uma capacidade ou comportamento específicos do humano. Recentemente, essa disciplina tem voltado sua atenção para as redes sociais digitais, como mais um espaço privilegiado de interações humanas, a exemplo da escrita,. A Teoria Ator-Rede (ANT – Actor-Net Theory), desenvolvida no âmbito da sociologia da ciência e da tecnologia, coloca-se como um estudo das associações, tradução e mobilidade entre atores humanos e não humanos, inclusive das inscrições, ou seja, dos processos de comunicação mediados por aparatos diversos, como a escrita, os equipamentos de reprodução audiovisuais e as tecnologias digitais.

Neste breve curso introdutório, pretende-se aproximar a perspectiva da ANT de uma abordagens sistêmica da linguagem e do organismo, permitindo a reflexão sobre o papel da linguagem e de seus processos de inscrição como mediadores na composição do social, e sobre a participação dos diversos outros atores, humanos e não humanos.

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Local: Universidade Federal de Sergipe, Campus de Itabaiana, bloco C

Programação (total: 20h):
20/04 – 17h/19h (2h) – A Teoria Ator-rede e a composição do social
27/04 – 17h/19h (2h) – Antropologia e linguística simétricas
04/05 – 17h/19h (2h) – Sistemas sociais na ANT e na Biologia do Conhecer
11/05 – 17h/19h (2h) – Agência não humana e linguagem
13/05 – 9h às 14h (5h) – Visita técnica ao Parque dos Falcões, Itabaiana/SE
14/05 a 21/05 (5h) – Elaboração do relatório de campo
25/05 – 17h/19h (2h) – Seminários e discussão final

Inscrições gratuitas pelo SIGAA-UFS