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inumatopeia #5 – sombras simiescas: reflexos primatas

Inumatopeia é um ciclo de conversas com as pesquisadoras e pesquisadores do Inuma. Na quinta edição, vamos conversar com o psicólogo e historiador da ciência Rubén Gómez Soriano, que apresenta a comunicação “Sombras simiescas: reflexos primatas”.

Coordenação: Ugo Maia e Beto Vianna

Debatedora: Juliana Fausto

Dia 21/11, a partir das 14h, no canal do Inuma no YouTube.

Link do inumatopeia #5: https://youtu.be/u7ReImqKFek

Inscrição com certificação da UFS: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/home.jsf. (em “Extensão”, no menu à esquerda).

Resumo da conferência

Ao longo deste trabalho analisei o papel desempenhado pelos macacos antropoides como elementos de identidade e alteridade da subjetividade moderna, desenvolvida, fundamentalmente, a partir do século XVI, e em áreas muito diversas, mas interligadas. Nesse sentido, minha pesquisa se detém em desvendar: (a) a importância da terminologia com a qual esses primatas foram designados, tornando visíveis as continuidades e descontinuidades com nossa espécie, em um contexto colonial; (b) o papel desempenhado pelas viagens transoceânicas, que trouxeram os primeiros encontros e representações de macacos antropoides, a partir do sec. XVI, numa troca de saberes; (c) como, na alvorada e curso do sec. XVIII, o desenvolvimento da anatomia comparada e das classificações taxonômicas, ligadas ao estudo dos símios antropoides, produziu e questionou a ideia de ser humano; (d) a relação entre macacos antropoides, a circulação do conhecimento, o ideal feminino e a escravidão no sec. XVIII; (e) o papel central que esses animais ocupavam dentro das teses transformistas e evolucionistas, desde o sec. XIX; (f) racismo científico e colonialismo articulados em torno da figura do macaco, especialmente do gorila; e (g) como o filme King Kong pode ser entendido como uma condensação complexa e contraditória do papel desempenhado por esses animais como figuras de identidade/alteridade para a conformação da subjetividade moderna. O trabalho termina com uma coda, que é uma espécie de fechamento, mas também uma abertura para desdobramentos futuros.

Sobre o conferencista

Rubén Gómez Soriano é doutor pela Universidad Nacional de Educación a Distancia no programa Diversidade, Subjetividade e Socialização. Realiza estudos em Antropologia Social, História da Psicologia e Educação, é professor-tutor da UNED e professor-consultor da Universitat Oberta de Catalunya. O seu trabalho de investigação centra-se na área da Primatologia e da História da Psicologia Comparada numa perspectiva que combina a História da Ciência de sensibilidade genealógica, os Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, os Estudos Culturais e os Estudos Críticos. Algumas de suas contribuições neste campo são o capítulo escrito em conjunto com Beto Vianna, “Demasiado mono: Versiones occidentales de los grandes símios” (Tecnogénesis. La construcción técnica de las ecologías humanas, 2008, ed. Tomás Sánchez-Criado) e o artigo “Mucho más que el ‘Einsicht’ De Köhler: La aportación de Leonard T. Hobhouse a la Psicología Comparada” (Revista de Historia de la Psicología, 2016, 37(4), 27-34). 34).

Linguagem e cultura na Biologia do Conhecer

Mesa redonda na V SEMANA DE ANTROPOLOGIA DA UFS

com: Jorge Mpodozis, Nelson Vaz e Cristina Magro

coordenação: Beto Vianna e Ugo Maia

Terça, 08/11, às 14h

Link YouTube: https://youtu.be/Fban5sP0y_o

Em um congresso de antropologia, o biólogo chileno Humberto Maturana escreveu na lousa: “Tudo é dito por um observador”.  Quais as consequências de se considerar, de um ponto de vista biológico, o surgimento do observador, da linguagem e da cultura? Como se relaciona a biologia de seres humanos individuais e de outros organismos com o surgimento e a conservação dos sistemas sociais? Como se dá o entrelaçamento da linguagem e das emoções na constituição e da conservação das culturas humanas? São algumas das reflexões que esta mesa oferece à V Semana de Antropologia da UFS.

inumatopeia #4

Inumatopeia é um ciclo de conversas com as pesquisadoras e pesquisadores do Inuma. Na quarta edição, vamos conversar com a ativista, artista e professora Glicéria Tupinambá, que apresenta a comunicação “Sonhos, aves e Encantados na volta do manto Tupinambá”.

Dia 10/10, a partir das 17h, no canal do Inuma no YouTube.

Link do inumatopeia #4: https://youtu.be/u7ReImqKFek

Inscrição com certificação da UFS: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/home.jsf. (em “Extensão”, no menu à esquerda).

inumatopeia #3

Inumatopeia é um ciclo de conversas com as pesquisadoras e pesquisadores do Inuma. Na terceira edição, vamos conversar com a filósofa Juliana Fausto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR/PNPD/CAPES), com a comunicação “Bezerros cósmicos em uma aventura mamífera: devir-animal, devir-com, fazer parentes…”.

Dia 13/08, a partir das 15h, no canal do Inuma no YouTube.

Inscrição com certificação da UFS: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/home.jsf. (em “Extensão”, no menu à esquerda).

Resumo

Um dos conceitos mais célebres em filosofia no que tange à chamada questão animal ou dos animais, o devir-animal cunhado por Deleuze encontra rendimento nos estudos animais ou multiespécies até hoje. É conhecida, também, a crítica que Donna Haraway empreende, em When Species Meet (2008) à sua configuração no platô, escrito com Félix Guattari, “1730 – Devir-animal, devir-intenso, devir-imperceptível…” (1980), na qual a filósofa acusa os autores de “misoginia, medo de envelhecer, falta de curiosidade em relação aos animais e horror diante da ordinariedade da carne” – e também do que hoje chamaríamos de postura aceleracionista. A partir dessa discussão, guiadas por um bezerro, procuraremos, em outras obras deleuzianas tais como Lógica da sensação (1981), O que é a filosofia? (1991) e Crítica e clínica (1993) iterações do conceito no qual a figura do idiota russo, apontada por Haraway como abandonada em Mil Platôs, reaparece em seu fundo, “resistindo ao presente” em vez de acelerá-lo. Este bezerro, que atualmente usa uma tabuleta, anel de desmame ou nose flap nos levará do devir ao devir-com que Vinciane Despret encontra com Jocelyne Porcher entre os criadores animais em Être Bête (2007), para os quais o grande divisor animalidade e humanidade não faz grande diferença, e que não param de virar outros com seus outros animais. Finalmente, chegaremos até as experimentações de parentesco galáctico de Cecilia Cavalieri (ceciliacavalieri.com.br), com leite repartido e assimetricamente negociado, nas quais o bezerro pode ousar se tornar criança ao arrancar a tabuleta e finalmente se dirigir a tetas lactantes.  

inumatopeia #2

Inumatopeia é um ciclo de conversas com as pesquisadoras e pesquisadores do Inuma. Na segunda edição vamos conversar com o biólogo, cineasta, pesquisador e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Antonio Botelho Andrade, com o tema “Divulgação científica: da teoria à ação”.

Dia 21/07/21, a partir das 15h, pela plataforma Google Meet.

Inscrição com certificação da UFS: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/home.jsf. (em “Extensão”, no menu à esquerda).

Resumo

A ciência é uma prática social e, como tal, não está desvinculada das condicionantes históricas, culturais e ideológicas da sociedade em que está inserida. Assim, tanto os processos de produção quanto o de socialização do conhecimento, sejam eles direcionados para o público especializado (comunicação interpares), ou para público em geral (divulgação científica), ainda que mediados por linguagens diferenciadas, são influenciados pelas mesmas condicionantes. Nessa perspectiva, a divulgação científica cumpre um papel importante na relação entre ciência e sociedade e se tornou, recentemente, uma exigência das agências de fomento para os grandes projetos financiados com recursos públicos. Essa importância se tornou ainda mais evidente no curso da atual pandemia provocada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), quando a figura do cientista renomado fala diretamente e diariamente com a população, por meio de diversas mídias, enquanto o vírus se espalha ceifando milhares de vidas.  Feito este preâmbulo, pretendemos discutir neste Seminário alguns conceitos que acreditamos fundamentais, tais como universidade, extensão universitária e divulgação científica. Abordaremos os conceitos de linguagem e cultura a partir do referencial teórico da Biologia do Conhecer, passando pelos diferentes sistemas de conhecimento – mitologia, religião, filosofia, ciência e arte –, ressaltando o fazer científico e a percepção pública sobre ciência. Passando da teoria à ação, apresentaremos nossa produção textual e fílmica na área de divulgação científica, especialmente com a série educativa intitulada “Quem foi que disse?” (disponível no site labaciencias.com), tentando superar obstáculos tais como o negacionismo e as fakenews, no contexto desse movimento maior denominado pós-verdade.